segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Tudo ao seu tempo

"Aos 20 sou bem mais madura do que aos 18, porque me arrependo de muita coisa que fiz naquela idade". Bom, quem nunca disse isso, atire a primeira pedra. Não precisa ser aos vinte, pode ser trinta, trinta e cinco, quarenta, não sei. Mas, chega um momento da vida que você realmente fala "poxa, hoje sou mais do que ontem" e essa foi a pauta de um fim de conversa com uma amiga, hoje. Como cometemos erros e erros tão bobos, mesmo que você já se encontre no dilema "estou num momento da vida em que meus amigos ou estão casando e tendo filhos, ou estão bêbados, e eu, não estou em nenhum desses casos".
Aos 12 anos conheci um garoto que, na época, era um verdadeiro pé no saco, o nome dele era Paulo*. Nos conhecemos porque eu era ─ e ainda sou ─ fã de Harry Potter e levei meu álbum de figurinhas quase completo de Harry Potter e o Cálice de Fogo para a escola, e ele viu. Começamos a conversar e ele foi se aproximando de mim, dos meus amigos e posso dizer que, se fosse hoje, ele era um verdadeiro stalker. Depois de muito insistir, quase um ano inteiro, "ficamos" ─ andávamos de mãos dadas e era só. Mas ele parecia um chiclete e eu não gostava daquilo, porque queria ter o meu recreio ao lado dos meus amigos e ele fez questão de se infiltrar na minha roda de amigos. Resultado, pedi um tempo. Passamos quatro anos nessa de terminar e voltar, terminar e voltar, mas fui começando a realmente gostar dele até que, em 2010, voltamos de verdade e tive meu primeiro beijo ─ é, eu tinha 16 anos e nunca tinha beijado mesmo. Mas, em abril de 2011, veio o balde de água fria quando ele pediu um tempo. Não chorei, nem nada, mas fiquei em estado de choque e em 2012, quase um ano depois, resolvi que era hora de falar com ele e então eu descobri que ele não queria mais nada mesmo.
Confesso que fiquei um pouco mal, mas então eu comecei a conversar com o Vitor*. Eu já o conhecia do ensino médio ao a caso. Conversávamos sobre música, música e, olha só, música. Às vezes falávamos mal do time um do outro ─ times clássicos nunca se bicam muito ─ e conversa vai, papo vem, acabei falando que, talvez, estivesse gostando dele e começamos a ficar. O problema é que acabamos fazendo a maior besteira e hoje, falo mesmo, me arrependo de muita coisa, principalmente de ter falado que gostava dele e estragado o que poderia ser uma boa amizade. Isso foi em 2013. Esse ano, em 2014, ele ressurgiu na minha vida como uma fênix ou um zumbi mesmo dizendo que sentia minha falta.

Só que, poxa, não tenho mais 18 anos e minha mentalidade não é mais da mesma garotinha burra e idiota. Eu até daria mais uma chance, afinal, vamos lá coração, talvez valha a pena. Mas ainda bem que meu cérebro é melhor que meu coração e me alertou.
Sem compromisso sério? De novo? Entendam, por mais que eu faça História, ainda sou meio recatada e gosto das coisas certas. Não gosto de ficar por ficar e não é que eu espere o Príncipe Encantado, como o Vitor falou para mim quando disse que eu queria alguém que fosse realmente bom para mim, porque Príncipe Encantado é um cara inalcançável que aparece na história da Cinderela ou que a novelinha da emissora mais popular do ramo implanta em nossas cabeças com um seriado de 20 anos que conta a mesma história, com personagens diferentes. Apenas quero alguém que não queira só diversão ou que não use o famoso "vamos dar um tempo para você se organizar" para dizer "não quero mais você".
Hoje, aos 20 anos, tenho mais cabeça do que eu tinha há dois anos e, puxa, como mudei. Não reclamo de ser solteira, de estar solteira. Posso sair sem dar satisfação para mais ninguém além da minha mãe e meu pai, porque ainda moro debaixo do teto deles. Eu assisto filmes sozinha, visito minhas amigas e não tenho um cara chorão porque o time dele perdeu, ou porque quero ficar com as minhas amigas. Na verdade, acho que isso faz parte do processo "crescer e amadurecer". Não quero mais alguém por pura diversão. Quero alguém que tenha a coragem de me pedir em namoro, que aguente minha TPM porque eu choro por tudo nesse período e que seja corajoso o suficiente para encarar uma família mega protetora.
Mas, acima de tudo, eu quero me amar primeiro para depois deixar as pessoas me amarem. Hoje, aos 20 anos, me arrependo das burradas que fiz aos 18/19 anos, mas hoje, nessa idade, também aprendi a me amar mais e aceitar que as coisas, bem, elas vêm ao seu tempo. Uma de cada vez.


* Os nomes citados foram alterados por questões vergonhosas de proteção e evitar violação de direitos dos indivíduos continuarem anônimos à todos!

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